Alta da inflação é pontual e não preocupa, diz secretário

Publicado por Jarlei Augusto on fev 6th, 2010 Arquivado em Destaque. Voc pode receber todos os comentários deste artigo atravs do RSS 2.0. Você pode deixar um comentário ou trackback para este artigo

Brasília - O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, condede entrevista exclusiva à Agência Brasil Foto: Marcello Casal Jr/ABr

Brasília - O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, condede entrevista exclusiva à Agência Brasil Foto: Marcello Casal Jr/ABr

A alta da inflação em janeiro não preocupa a equipe econômica porque decorre de fatores pontuais que não deverão se repetir nos próximos meses, disse hoje (5) o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o secretário afirmou que o crescimento da economia e a ampliação do esforço fiscal em 2010 impedirão que o impacto dos aumentos de preços no início do ano se alastre nos próximos meses.

O secretário, ressaltou que, apesar de não se preocupar com o repique da inflação, o governo está atento ao comportamento dos preços. “Esses fatores tendem a desaparecer com o tempo, o que não significa que não tenha de prestar atenção a eles. Achamos que um cenário desses [de descontrole da inflação] não é preocupante porque nossa expectativa de crescimento não adiciona pressões excessivas de demanda”, ressaltou.

Para Barbosa, a prova de que o governo está tomando medidas pontuais para que os aumentos de preços não se espalhem ocorreu com a redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que entrou em vigor hoje. “O preço do álcool parou de subir e tudo indica que ele deve se estabilizar e começar a cair à medida que a safra de cana foi colhida”, afirmou.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado pelo governo para fixar a meta oficial de inflação, foi de 0,75% em janeiro. A elevação nos preços foi a maior desde maio de 2008, quando o índice fechou 0,79%. Em janeiro do ano passado, a inflação oficial havia ficado em 0,48%.

Segundo Barbosa, os fatores atípicos responderam por quase dois terços do índice de janeiro. Da variação registrada no mês passado, 0,49 ponto percentual deve-se a elevações que não se repetirão nos próximos meses: 0,14 ponto do reajuste de tarifas de ônibus; 0,10 ponto da elevação de preços do álcool e da gasolina; e 0,25 ponto do encarecimento dos alimentos in natura, cuja produção foi afetada pelas chuvas no Sul e Sudeste.

A ampliação da meta de superávit primário (esforço fiscal para pagar os juros da dívida pública) em 2010 também contribuirá para a queda da inflação nos próximos meses, disse o secretário. Ele reafirmou o compromisso de retomar a meta de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. “Parte dos estímulos dados no ano passado serão retirados, além disso os gastos do governo crescerão menos neste ano, o que garante o cumprimento da meta”, declarou.

Na avaliação do secretário, o superávit primário é importante para ajudar a segurar a demanda e impedir pressões inflacionárias. Ele, no entanto, evitou comentar se a diminuição dos gastos públicos reduz a necessidade de aumento dos juros pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central. “Naturalmente, pela própria lógica da política econômica, há uma contribuição. Se isso substitui a necessidade de aumento dos juros, é uma consideração para o Banco Central”, declarou.

Ivanir José Bortot e Wellton Máximo
Repórteres da Agência Brasil

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