A maior esperança do Brasil é a maior incógnita

Foto por Djalma Vassão/Gazeta Press

A evolução de Kaká é evidente a todos que têm acompanhado o jogador. O meia chegou à Curitiba, na apresentação da seleção no mês passado, reclamando de dores, e sequer participou dos primeiros treinos físicos. No dia seguinte ao desembarque na África do Sul, Kaká já estava treinando com bola.

O jogador participou de todos os coletivos e jogou 45 minutos do amistoso contra o Zimbábue na semana passada. Ainda assim, Kaká não lembrava nem de longe o jogador que brilhou no ano passado, levando o Brasil ao primeiro lugar nas Eliminatórias sul-americanas. Kaká passava os treinos tocando rapidamente a bola, sempre com passes curtos e laterais.

No amistoso desta segunda-feira, contra a Tanzânia, Kaká mostrou que está mesmo “se soltando”, como vem dizendo desde que chegou à África. O jogador até arriscou duas arrancadas rápidas em direção ao ataque com a bola dominada e marcou um gol após receber um passe de Maicon.

O mais difícil, nestas exibições do jogador e da seleção, é saber o quanto Kaká está fora da sua melhor forma e o quanto o meia está apenas se poupando. Em uma das arrancadas, Kaká sofreu uma dura falta por trás de um zagueiro. Toda a prudência do mundo, neste momento, não é demais. Ninguém quer ver Kaká fazendo companhia a Ballack e Ferdinand no time dos que não jogarão.

Mas nem tudo que Kaká vem exibindo é apenas fruto desta precaução. O jogador ainda está longe de ser o ponto de referência técnica para a seleção. Kaká ainda erra passes em campo e distribui mal as jogadas.

Nos treinos e amistosos, Kaká tem sido útil puxando a marcação e liberando outros jogadores – como Elano, Michel Bastos e Maicon – para criação das jogadas de perigo da seleção. É uma estratégia interessante, mas muito longe do que se espera de um camisa 10 com a capacidade que ele tem.

A uma semana da Copa, ainda acho difícil saber que tipo de camisa 10 teremos em campo. Treinos e amistosos fizeram muito pouco para dissipar as dúvidas. Kaká será como o camisa 10 brasileiro das Eliminatórias do ano passado, que ganhava e dava espetáculo? Ou será mais como Zico em 1986 e Raí em 1994, dois jogadores brilhantes que não corresponderam à expectativa geral?

BBC

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