sex, 10 set 2010

Verão sem manchas: Como tratar o “Pano Branco” (Pitiríase versicolor)

Elas aparecem para estragar tudo quando o corpo ganha aquele bronzeado. São as manchas da micose de praia, que costumam ser notadas apenas quando a pele está queimada de sol. Mas ao contrário do que muita gente pensa, a pitiríase versicolor – nome científico da doença -, não é contraída na praia ou na piscina. O verão apenas revela aquele branquinho feio que já estava lá, mas que ninguém percebia.

“Esta micose não se pega. O fungo é um habitante natural da pele e se reproduz quando encontra condições favoráveis”, explica o dermatologista e professor da UniRio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), Ricardo Barbosa Lima.

Entre as condições listadas pelo médico estão a oleosidade da pele, a umidade, a falta de higiene e a baixa imunidade. “É muito alta a incidência em populações carentes, que sofrem com a falta de condições sanitárias adequadas e a desnutrição. Mas é claro que estes não são os únicos fatores responsáveis”, afirma o dermatologista.

“As altas temperaturas e a umidade característica do verão facilitam ainda mais a proliferação da doença. Não há como evitar, o fungo está em toda parte”, ressalta a dermatologista Joana D’arc Meira. Para a médica, a predisposição genética é determinante para o desenvolvimento da doença ou não.

Os fungos que causam a micose (também conhecida como pano branco) atacam a epiderme, camada superior da pele, e produzem uma substância que impede a pigmentação. O resultado é uma pele bronzeada com manchas claras, castanhas ou avermelhadas. O tratamento é feito com aplicação de cremes e xampus anti-micóticos ou até por via oral quando a micose já está muito disseminada.

“A primeira vez que tive micose foi há três anos. Não sou muito de ir à praia e não fazia idéia de como tinha pego”, conta Lady Diana Pereira, 21 anos, auxiliar administrativo e moradora da Rocinha (Zona Sul carioca). Ela consultou um médico que lhe receitou uma pomada que fez a micose sumir.

A doença causa certo desconforto, como coceiras e escamação da pele ou do couro cabeludo, mas sua pior conseqüência é o efeito estético. “É muito feio, a gente não pode nem botar uma blusinha que todo mundo nota”, reclama Diana.

  • Disciplina para curar

Quando não é tratada, a micose cresce ainda mais, marcando cada vez mais a pele. “Estou evitando usar roupas decotadas, mas não vou poder tratar tão cedo”, lamenta Rita de Cássia Gonçalves, 26 anos, moradora do Tuiuti (Zona Norte). Ela descobriu uma mancha nas costas há algumas semanas e teve o tratamento contra-indicado pelo médico porque está grávida de três meses.

“É horrível, parece até que estou pintada. Mas vou ter que agüentar até acabar de amamentar”, conta. Enquanto isso, ela aposenta as roupas que deixam a mancha exposta. “Não dá para ir a uma festa ou a um evento mais social mostrando essa pintura toda”, reclama.

Acabar com a micose requer a aplicação diária de cremes, loções ou sprays anti-micóticos por um período de dez a 30 dias. É preciso ter disciplina para não esquecer nenhuma aplicação e atrasar o tratamento. “O chato é ficar lembrando de passar o remédio pela manhã e à noite”, conta Diana.

Apesar de desaparecer facilmente com o tratamento, é comum a pitiríase voltar a aparecer depois de um tempo, às vezes, anos depois. Para prevenir, pessoas que já tiveram a doença mais de uma vez devem usar um xampu anti-micótico regularmente e espalhar a sua espuma pelo corpo. “Usar o xampu uma vez por semana é suficiente para evitar uma recaída”, recomenda Ricardo.

Diana voltou a sofrer com as manchas três anos após o primeiro tratamento. “O médico me disse que o fungo está alojado no couro cabeludo e que reinfesta o corpo”, explica.

Desta vez, o tratamento foi mais complexo que o primeiro. Além de um spray anti-micótico na pele, ela teve que aplicar um xampu. “Ainda bem que foram só 15 dias de aplicação”, conta aliviada.

  • Tratamento solar

O custo do tratamento varia de acordo com a quantidade de remédios receitados. O preço de cremes, loções e sprays anti-micóticos varia de R$ 10 a R$ 30. O preço dos xampus é um pouco mais salgado, em média R$ 30.

“Eu passava o spray só uma vez por dia, se passasse as duas vezes recomendadas pelo médico, ia acabar logo e teria que comprar outro”, conta Diana. Ela garante que o “jeitinho” encontrado para economizar no tratamento não comprometeu sua cura.

A exposição ao sol é fundamental para reaver a uniformidade na cor da pele. “Se o paciente não apanhar sol, a cor não volta ao normal”, receita o médico.

O primeiro sinal de cura é o fim da escamação das partes afetadas. É neste momento que o paciente deve voltar a se expor ao sol, sempre evitando os horários de maior intensidade, entre 10h e 16h, e com filtro solar, para evitar os perigosos raios ultravioleta.

“Mal posso esperar para poder me vestir normalmente. Não agüento mais me esconder em roupas fechadas neste calor todo”, comemora Diana.

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Displaying 2 Comments
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  1. Raquel disse:

    boa tarde,gostaria de saber o nome do spray e o shampoo por favor.
    obg

  2. Julia Fernanda da silva santos disse:

    oi boa tarde eu li a historia da LADY (Rocinha-Zona Sul carioca)e eu gostaria de saber qual o nome da pomada que o medico a receitou pois eu tenho pano branco nas costas ,fico grata .

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