Impotência é forte indicador de ataques cardíacos, diz estudo

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Um estudo alemão revelou que impotência sexual é um forte sinal em pacientes de alto risco de que estes podem estar perto de sofrer um ataque cardíaco.

A pesquisa da Universidade do Sarre, na Alemanha, concluiu que entre os homens portadores de doenças cardíacas, aqueles que também apresentam quadros de impotência sexual têm o dobro de chance de sofrerem um ataque cardíaco.

Segundo o estudo, a probabilidade dos portadores de disfunção erétil sofrerem um derrame cerebral é 10% maior do que a dos demais pacientes cardíacos, enquanto que a possibilidade de precisarem ser hospitalizados por insuficiência cardíaca é 20% superior.

Os cientistas alemães acompanharam 1519 homens de 13 países diferentes que já possuíam alguma doença cardíaca. Os participantes foram perguntados sobre uma possível disfunção erétil no início da pesquisa, depois de dois anos e após cinco anos.

O grupo concluiu que a disfunção erétil é “um potente indicador” de mortes relacionadas a problemas cardíacos, como “infarto do miocárdio, derrame cerebral, e insuficiência cardíaca”.

Para os autores do estudo, homens que estão tratando problemas de disfunção erétil deveriam fazer exames para saber se sofrem ou tem propensão a problemas cardíacos.

“Esses homens estão sendo tratados por disfunção erétil, mas não pela doença cardiovascular fundamental. Um grupo inteiro de homens está sendo posto em risco”, disse Michael Böhm, um dos autores do estudo.

A pesquisa explica que a impotência sexual está ligada ao fluxo inadequado de sangue nas artérias penianas.

Portanto, para muitos homens, a dificuldade constante de se atingir uma ereção pode ser um sinal prévio de que suas artérias estão tornando-se mais estreitas.

Com base nisso, os autores da pesquisa defendem que os médicos deveriam indagar seus pacientes com mais de 40 anos sobre sua vida sexual, pois esses homens dificilmente tomam a iniciativa de relatar esse tipo de problema.

Da BBC

Técnica de 'lavagem cerebral' pode aumentar sobrevivência de prematuros

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Bebês prematuros sofrem devido a possibilidade de hemorragias

Uma técnica criada por pesquisadores britânicos, que “lava o cérebro” de bebês muito prematuros, poderá ajudar na sobrevivência destas crianças.

O estudo, da Universidade de Bristol, envolveu 77 bebês prematuros. O sangramento no cérebro é um dos problemas mais temidos para a maioria destes bebês, pois pode causar dano cerebral ou até mesmo levar à morte.

A técnica dos pesquisadores britânicos, que envolve a drenagem do cérebro durante a introdução de um novo fluido no lugar, pode reduzir este risco.

Os cientistas afirmam que o procedimento é realizado durante alguns dias na criança e é necessário um acompanhamento para garantir que a pressão no cérebro do bebê não aumente muito.

Mas a técnica só poderá ser usada em bebês muito prematuros, com grandes hemorragias, que podem levar o cérebro e a cabeça a se expandirem muito, em um problema conhecido como hidrocefalia.

O neurocirurgião pediátrico Ian Pople, um dos líderes da pesquisa, disse à BBC que espera que a técnica esteja disponível em breve no sistema de saúde público da Grã-Bretanha.

“Esta é a primeira vez que qualquer tratamento, em qualquer lugar do mundo, mostrou benefícios para estes bebês tão vulneráveis”, afirmou.

Atualmente o tratamento padrão para crianças prematuras consiste em inserir várias vezes agulhas na cabeça ou na coluna para remover o excesso de fluidos acumulados, durante alguns meses, antes que um dreno seja inserido para retirar o fluido pelo abdome.

A pesquisa da Universidade Bristol, publicada na revista especializada Pediatrics, descobriu que o novo tratamento, chamado de Drift, é mais eficaz.

Primeiro bebê

Um dos primeiros bebês que recebeu o novo tratamento, durante os primeiros testes, foi o britânico Isaac Walker-Cox, de South Gloucestershire, hoje com nove anos.

Ele tinha apenas 1% de chances de sobrevivência quando nasceu, 13 semanas antes do tempo previsto.

A mãe, Rebekah Walker-Cox, afirmou que o menino atualmente tem uma leve paralisia no lado esquerdo do corpo, mas leva uma vida normal.

“Ele não tem nenhum problema mental, sua média de leitura é acima do normal e ele é muito bom com computadores. Ele leva a vida normalmente e é um menino expansivo e feliz”, afirmou.

“Esta nova pesquisa é muito interessante e sempre aprovamos qualquer (pesquisa) que tenha o potencial de melhorar os resultados para bebês nascidos doentes ou prematuros”, disse Andy Cole, da instituição de caridade britânica para crianças prematuras Bliss.

“Os primeiros resultados desta pesquisa são encorajadores e estamos ansiosos para ver como estas descobertas podem ser traduzidas para os tratamentos que podem garantir melhores resultados para estes bebês tão vulneráveis”, acrescentou.

Casos de dengue crescem mais de 100% nas primeiras seis semanas do ano

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Brasília – Nas primeiras seis semanas deste ano, o número de casos de dengue cresceu mais de 100% em relação a 2009. Entre 1° de janeiro e 13 de fevereiro foram registrados 108.640 casos em todo país, contra 51.873 do ano passado. Apesar do aumento, os casos estão concentrados em cinco estados.

De acordo com o Ministério da Saúde, as chuvas e as altas temperaturas contribuem para o aumento de casos, já que facilitam a reprodução do mosquito Aedes aegypti. Outro fator que ajudou a elevar o número de casos é a recirculação da dengue do tipo 1, que teve mais intensidade no fim da década de 80, segundo o coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue, Giovanini Coelho.

“Quando você tem uma população que nunca foi exposta a determinado tipo de vírus, a chance de epidemia é muito grande. E temos uma parcela da população que não teve contato com esse vírus . São crianças e adultos jovens que nasceram após esse período em que houve maior circulação do tipo 1”, explicou Coelho.

Foram registradas no período 21 mortes, contra 32 em 2009. Mas os números podem aumentar porque alguns óbitos ainda não foram confirmados como casos de dengue.

Anvisa vai recorrer da decisão que desobriga farmácia a expor remédios atrás do balcão

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Brasília – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que vai recorrer da decisão judicial que vetou os itens 9 e 10 da Resolução nº 44, que obriga as farmácias e drogarias a não deixar medicamentos que dispensam prescrição médica ao alcance dos clientes, do lado de fora do balcão.

Na última sexta-feira (19), o desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, de Brasília, e relator da matéria, Daniel Paes Ribeiro, negou pedido da Anvisa contra a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) e estendeu a decisão, que estava restrita a Brasília, para todo o território nacional.

Canto pode reativar fala após derrame, diz estudo

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Área do cérebro responsável pelo canto pode substituir a da fala
Área do cérebro responsável pelo canto pode substituir a da fala

Ensinar pacientes vítimas de derrame cerebral a cantar pode ‘reconectar’ seus cérebros e ajudá-los a recuperar a fala, segundo afirmam cientistas americanos.

Segundo os pesquisadores, o canto usa uma área diferente do cérebro que a área envolvida na fala.

Se a “área da fala” é danificada em um derrame, os pacientes poderiam aprender a usar a “área do canto” em seu lugar.

A pesquisa foi apresentada durante a reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em San Diego, na Califórnia.

Estudo clínico

Segundo os pesquisadores, um estudo clínico em andamento teria mostrado como o cérebro responde a esta “terapia de entonação melódica”.

Segundo o coordenador do estudo, o neurologista Gottfried Schlaug, da Escola Médica de Harvard, em Boston, a terapia já está estabelecida como técnica médica.

Os pesquisadores começaram a usá-la ao descobrir que pacientes vítimas de derrames que haviam ficado incapacitados de falar ainda eram capazes de cantar.

O estudo apresentado por Schlaug foi o primeiro a combinar esta terapia com exames do cérebro com imagens, que “mostram o que está realmente acontecendo no cérebro” quando os pacientes aprendem a cantar suas palavras.

Conexões

A maioria das conexões entre as áreas do cérebro que controlam os movimentos e aquelas que controlam a escuta estão no lado esquerdo do cérebro.

“Mas há uma espécie de buraco correspondente no lado direito. Por alguma razão, ele não tem as mesmas conexões, então o lado esquerdo é mais usado na fala”, diz Schlaug.

“Se você danifica o lado esquerdo, o lado direito tem problemas em cumprir com esse papel”, explica.

Quando os pacientes aprendem a colocar palavras em melodias, as conexões cruciais se formam no lado direito de seus cérebros.

Cantores profissionais

Estudos anteriores com imagens do cérebro mostraram que essa “área do canto” é superdesenvolvida nos cérebros de cantores profissionais.

Durante as sessões de terapia, os pacientes aprendem a colocar suas próprias palavras em melodias simples.

Segundo Schlaug, após uma única sessão pacientes de derrame que não eram capaz de formar nenhuma palavra inteligível aprenderam a dizer a frase “estou com sede” combinando cada sílaba com uma nota de uma melodia.

Os pacientes também eram encorajados a marcar cada sílaba com suas mãos. Segundo Schlaug, isso parecia ter um efeito de um “marca-passo interno” que tornaria ainda mais efetiva a terapia.

“A música pode ser um meio alternativo para envolver partes do cérebro que não são envolvidas normalmente”, afirmou.

Victoria Gill
Da BBC News em San Diego

Britânica consegue ter filho após 18 abortos espontâneos

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Angie disse que sua filha é 'um pequeno milagre'
Angie disse que sua filha é 'um pequeno milagre'

Uma mulher que sofreu 18 abortos espontâneos conseguiu realizar o sonho de se tornar mãe, após se submeter a um tratamento especializado em Epsom, na região metropolitana de Londres.

Angie Baker, 33, descreveu como um “pequeno milagre” sua filha Raiya, que nasceu no último dia 9 de dezembro.

“Parece um sonho. Ela é perfeita em todos os sentidos”, disse Angie.

Angie vinha tentando ter filhos desde os 20 anos de idade, mas todas as vezes em que engravidou sofreu abortos espontâneos entre as cinco e oito semanas de concepção.

“Emocionalmente, era uma montanha-russa. Todas as vezes que eu ficava grávida alimentava a esperança de que ‘é agora'”, contou.

“No fundo, eu sempre pensei que era um problema pequeno que tinha cura.”

Tratamento

Angie recebeu tratamento para um subtipo de leucócitos, os glóbulos brancos presentes no sangue e responsáveis pela defesa contra microorganismos.

Médico disse que é mais fácil ganhar na loteria que sofrer 18 abortos

Utilizando testes disponíveis apenas em Epsom, Liverpool e Chicago, o médico Hassan Shehata, do hospital da Epsom and St Helier University, descobriu que Angie tinha uma alta incidência das chamadas células NK (do inglês natural killers, ou seja, células exterminadoras naturais).

Essas células defensivas atacavam o feto, confundindo-o com um corpo estranho.

O médico, que supervisiona pacientes de diversas partes do mundo, disse que só conhecia, de leitura, um caso no qual uma mulher sofrera tantos abortos quanto Angie.

“Dezoito abortos espontâneos é um grande número. É mais fácil ter a sorte de ganhar na loteria que o azar de ter 18 abortos espontâneos”, ele comparou.

Segundo ele, os abortos espontâneos afetam uma em cada cinco mulheres grávidas. A chance de passar por essa situação duas vezes é uma em 25, e cinco vezes, uma em 15 mil.

Angie foi submetida a um tratamento que incluía a ingestão de uma alta dose de esteróides duas semanas antes da concepção e 12 semanas depois.

Após o nascimento de Raiya, a nova mãe disse que estava muito feliz.

“Estou adorando. Estou curtindo cada momento. É uma preciosidade. Não acredito que ela está aqui, e é minha.”

Angie Baker e o Dr Shehata

Médico disse que é mais fácil ganhar na loteria que sofrer 18 abortos

BBC

Ministério publica normas e protocolos das doenças tratadas no SUS

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Setembro - Posto de Saúde - Audiência Pública 018

Brasília – O Ministério da Saúde publicou hoje (11), no Diário Oficial da União, normas de elaboração dos documentos e os protocolos clínicos que definem como cada doença deve ser diagnosticada e tratada no Sistema Único de Saúde (SUS). O ministério pretende revisar este ano, em parceria com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, 53 protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas já publicadas e elaborar outros 33.

O Secretário de Atenção à Saúde do Ministério, Alberto Beltrame, disse que ao implantar e elaborar os protocolos, os gestores do SUS contribuirão para a prescrição segura e eficaz dos medicamentos. “Além de sua importância na qualificação da assistência propriamente dita, os protocolos cumprem papel fundamental nos processos de gerenciamento dos programas de assistência farmacêutica, nos processos de educação em saúde para profissionais e pacientes, e nos aspectos legais envolvidos no acesso a medicamentos e na assistência como um todo”.

Os protocolos estão sendo atualizados por uma equipe dividida em dez grupos, classificados por especialidades como cardiologia, endocrinologia, ortopedia, hematologia e neurologia. A equipe conta com a participação de colaboradores da comunidade científica externos ao ministério. Segundo a Coordenadora de Alta Complexidade do Departamento de Atenção Especializada do Ministério, Maria Inez Pordeus Gaelha, trata-se de pesquisadores e profissionais de diversas áreas que lidam na prática com as doenças cujos protocolos estão em processo de atualização e elaboração.

Macarrão instantâneo tem cinco vezes mais gordura, aponta teste

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Pronto em apenas três minutos, o macarrão instantâneo é conhecido pela população como prático e ideal para quem não gosta, ou não sabe, cozinhar. Entretanto, o conjunto de macarrão e tempero pronto pode ser uma perigosa combinação para a saúde. A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) testou dez marcas do produto e constatou que as quantidades de sódio e gordura estão acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por outras sociedades médicas.

“Alguns produtos têm cerca de cinco vezes mais gordura do que o macarrão tradicional”, atesta a coordenadora institucional da Pro Teste, Maria Inês Dolci. Segundo a coordenadora, estes altos índices são consequência da fritura que o macarrão instantâneo é submetido para que possa ser cozido rapidamente depois. “Os valores de gordura e de sódio estão diferentes do informado no rótulo”, explicou.

A pesquisa mostrou que alguns produtos contêm mais do que o dobro da quantidade de sódio recomendada para um adulto, o que de acordo com o cardiologista do Instituto do Coração (InCor) Paulo Camargo, pode acarretar vários riscos à saúde. “Pessoas com colesterol alto, hipertensão e crianças devem evitar ao máximo. Em geral, todo mundo deve evitar comer, porque não é um alimento saudável”. O especialista explicou que o alto teor de sódio pode fazer com que a pressão arterial aumente, além de reter líquido e proporcionar problemas cardíacos. Segundo ele, as sociedades médicas e a OMS indicam que o consumo diário de um adulto não deve ultrapassar 2 gramas de sódio.

Mas o que fazer quando a fome é muita e o tempo é curto? A nutricionista Cristina Menna Barreto recomenda que se cozinhe mais macarrão tradicional e armazene. “Sem o molho, em um pote bem fechado, o macarrão de grano duro resiste de três a quatro dias na geladeira”, explicou. De acordo com a Pro Teste, o macarrão tradicional também é mais econômico: 80 gramas custa R$ 0,30, enquanto o preço de um pacote de macarrão instantâneo com o mesmo peso custa entre R$ 0,48 e R$ 0,83 (os valores foram calculados com base em dados coletados em junho de 2009 em Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo).

Procurada pela Agência Brasil, a Piraquê, uma das marcas que foi testada, afirmou que o total de sódio do macarrão e do tempero é 1,8 grama. “Nós nos baseamos no índice da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cujo limite aceitável é 2,4 gramas”, afirmou o engenheiro de produção da Piraquê, André Luiz Teixeira. À Agência, a Anvisa afirmou que seu limite é mesmo 2,4 gramas, de acordo com as normas técnicas da OMS.

Em nota, a Adria, outra marca testada, afirmou que “as quantidades de sódio e glutamato monossódico seguem o padrão praticado pelo segmento no mercado”. Já o Carrefour informou que “irá fazer uma análise da composição nutricional com o objetivo de identificar possíveis melhorias no produto”. O Grupo Pão de Açúcar, responsável pela marca Qualitá, ressaltou que desconhece o laboratório que fez o teste do macarrão e que contesta os resultados. De acordo com o Pão de Açúcar, “o produto em questão não apresenta teor de glutamato monossódico acima do permitido uma vez que não há determinação em relação a quantidade máxima para seu uso. A empresa esclarece que o glutamato monossódico é um aditivo que tem a função de realçar o sabor dos alimentos, sendo seu uso seguro, segundo parecer dos principais órgãos reguladores mundiais, como a OMS, e permitido pela Food and Drugs Administration (FDA-EUA) e também no Brasil pela Anvisa.”

A Nestlé afirmou que seu macarrão está adequado para consumo e “que em relação ao sódio, desde 2005, a empresa adota medidas para redução desses teores em suas formulações”. Procurada pela Agência, a Nissin, que teve duas marcas de macarrão testadas pela Pro Teste não foi encontrada. Por meio de sua assessoria de imprensa, o grupo Selmi, fabricante do macarrão Renata, explicou que suas quantidades de sódio estão de acordo com a legislação vigente.

Ministério da Saúde apresenta pesquisa sobre hepatite

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Brasília – O Ministério da Saúde apresenta hoje (27), às 14h, uma pesquisa sobre a situação das hepatites A, B e C nas capitais. Além disso, será lançado o novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Hepatite Viral Crônica B e Coinfecções.

O protocolo garante aos portadores da hepatite B novas opções de tratamento – três novos medicamentos antivirais que, associados a outros dois já adotados no Sistema Único de Saúde (SUS), ampliam as alternativas de tratamento para o controle da ação do VHB (o vírus causador da doença). O documento estabelece nova política nacional para o tratamento da doença.

Aids (HIV) Mitos, verdade, sintomas e fases do vírus do século

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Saiba quais são os sintomas iniciais da infecção pelo HIV e quais doenças definem a AIDS (SIDA)

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Ao contrário do que muita gente pensa, ser portador do HIV não é igual a ter AIDS (SIDA). Para o diagnóstico de AIDS é preciso além da presença do vírus, a coexistência de doenças pela imunossupressão. Algumas pessoas podem ter HIV durante anos e não desenvolver AIDS.

Logo após a contaminação pelo vírus, pode ocorrer um quadro chamado de infecção aguda pelo HIV, que nada tem a ver com AIDS.

Neste texto vou falar sobre 2 quadros clínicos causados pelo HIV: a.) Infecção primária ou aguda pelo HIV e b.) AIDS

a.) INFECÇÃO AGUDA PELO HIV

Uma grande quantidade de sinais e sintomas podem estar associados a infecção aguda pelo HIV. Muitos deles sintomas inespecíficos que ocorrem comumente em uma gama de outros quadros infecciosos, como pode-se ver na figura ao lado (clique para ampliar).

O sintoma mais comum é a febre (38ºC a 40ºC), que ocorre em mais de 80% dos casos.

Também muito comuns são:
Faringite sem aumento da amígdalas e sem presença de pus ( leia: DOR DE GARGANTA – FARINGITE E AMIGDALITE )
Lesões de pele (rash) que ocorrem 48 a 72h após o início da febre e costumam durar entre 5 e 8 dias. Este rash costuma se apresentar como lesões arredondadas, menores que 1 cm, avermelhadas, com discreto relevo e distribuídas pelo corpo, principalmente no tórax, pescoço e face. Também podem acometer solas dos pés e palmas das mãos.
Aumento de linfonodos (inguas) principalmente em axilas e pescoço.
Dores articulares, musculares e cefaléia (leia: DOR DE CABEÇA – ENXAQUECA, CEFALÉIA TENSIONAL E SINAIS DE GRAVIDADE)
Em 10% dos casos pode-se ter também aumento de fígado e/ou baço, úlceras orais, anais e genitais, diarréia e vômitos (podendo levar ao emagrecimento de até 5 kg).

A úlceras parecem estar relacionadas ao ponto de entrada do vírus nas mucosas, semelhante ao que ocorre na sífilis (leia: SINTOMAS DA SÍFILIS). Úlceras orais indicam contaminação por sexo oral ativo e a úlceras anais por sexo anal passivo. Do mesmo modo, também pode haver úlceras vaginais e penianas.

Existem também casos descritos de hepatite, pneumonia e pancreatite (leia: PANCREATITE CRÔNICA E PANCREATITE AGUDA) causados pela infecção aguda do HIV.

Em raros casos também pode ocorrer candidíase oral ou vaginal.

Tipicamente os sintomas de infecção aguda pelo HIV iniciam-se entre 2 e 4 semanas após a exposição. Porém, já foram descritos casos com até 10 meses de intervalo.

Como se pode notar, são todos sintomas inespecíficos e nenhum deles consegue definir o diagnóstico de infecção aguda pelo HIV. Mais importante que os sintomas em si, é o tempo de intervalo entre o comportamento de risco (sexo sem preservativos ou compartilhamento de agulhas) e o aparecimento dos mesmos.

De qualquer modo, o diagnóstico não é clínico já que várias doenças têm o mesmo quadro, sendo necessário a realização das sorologias ou da pesquisa do vírus para confirmação (leia: SOROLOGIA PARA HIV / AIDS. COMO E QUANDO TESTAR ?).

Os pacientes na fase aguda do HIV apresentam carga viral elevadíssima estando portanto altamente contagiosos neste momento(leia: SAIBA COMO SE PEGA E TRANSMITE HIV E AIDS (SIDA)).

O quadro de infecção aguda pode durar até 2 semanas.

b.) SINTOMAS DA AIDS (SIDA)

O término da infecção aguda costuma coincidir com a positivação da sorologia pela produção de anticorpos específicos contra o HIV. Nesta fase a carga viral cai e se estabiliza em níveis baixos durante muitos anos.

O HIV ataca principalmente as células de defesa chamadas de linfócitos CD4. A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA ou AIDS) é um quadro de imunossupressão e infecções oportunistas devido aos níveis baixos de linfócitos CD4.

Chamamos de infecção oportunista aquelas que ocorrem aproveitando-se da queda no nosso sistema imunológico. Infecções oportunistas existem não só na AIDS, mas também em doentes transplantados, em quimioterapia, com câncer, ou qualquer outra condição que leve a imunossupressão.

Para se estabelecer o diagnóstico de AIDS é preciso estar infectado pelo HIV e:
1.) ter uma contagem de linfócitos CD4 menor que 200 células/mm3; ou
2.) apresentar uma das doenças definidoras de AIDS, que são:

Candidíase pulmonar ou traqueal
Candidíase de esôfago (leia: O QUE É A CANDIDÍASE ?)
Câncer de colo uterino invasivo
Coccidioidomicose disseminada (uma infecção fúngica)
Criptococose extra-pulmonar (também infecção fúngica)
Criptosporíase intestinal (doença parasitária)
Citomegalovírus (doença viral)
Encefalopatia do HIV
Herpes simples crônica (mais de 1 mês de duração) ou disseminada (leia: DST – HERPES LABIAL E GENITAL)
Histoplasmose disseminada (infecção fúngica)
Isosporiase intestinal crônica (doença parasitária)
Sarcoma de Kaposi’s (neoplasia típica da AIDS)
Linfoma de Burkitt
Linfoma do sistema nervoso central (leia: O QUE É UM LINFOMA ? )
Infecção disseminada por Mycobacterium avium complex (infecção bacteriana)
Tuberculose disseminada (leia: SINTOMAS DE TUBERCULOSE )
Pneumonia pelo fungo Pneumocystis carinii (também chamado Pneumocystis jirovecii)
Pneumonia recorrente (leia: QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA PNEUMONIA ? )
Leucoencefalopatia multifocal recorrente (doença viral)
Sepse por salmonela (leia: O QUE É SEPSE / SEPSIS E CHOQUE SÉPTICO ?)
Toxoplasmose cerebral
Síndrome consumptiva (emagrecimento) do HIV

As doenças listadas acima são típicas de pacientes com imunossupressão, não necessariamente por AIDS, mas a sua presença indica obrigatoriamente a investigação do HIV.

Não existe um quadro clínico único da AIDS. O quadro clínico vai depender do tipo de doença que se desenvolver e os órgãos afetados. Se você me perguntar qual os sintomas da AIDS, eu vou responder, depende.

A imunossupressão além de facilitar o surgimento de infecções, também aumenta a frequência de neoplasias malignas. Cânceres como o de colo uterino (leia: SINTOMAS DO HPV E CÂNCER DO COLO DO ÚTERO) se tornam extremamente agressivos e linfomas são muito mais frequentes na AIDS que em pessoas sadias. Outros como o Sarcoma de Kaposi são típicos de imunossuprimidos, principalmente em homossexuais. (leia: CÂNCER (CANCRO) – SINTOMAS E DEFINIÇÕES)

Aquela imagem do paciente com AIDS, caquético, cheio de lesões de pele e candidíase oral, já não é mais tão comum. O tratamento avançou muito nos últimos anos e boa parte dos doentes mantém seus níveis de CD4 elevados, impedindo a ocorrência de infecções oportunistas.

Mas o HIV ainda não tem cura e ainda mata. Na verdade, quem leva ao óbito não é o HIV, mas sim as infecções oportunísticas e neoplasias secundárias a imunossupressão.

 Atualizada em (11 de dezembro de 2014, às 22:57)